Terça-feira, 13 de Março de 2007

Gente Pobre


Autor: Dostoievski, Fiodor
Editora: Presença (Editorial)
Apreciação

Género: Romance
Idioma: Português

 

«Gente Pobre» é o romance de estreia da vasta obra literária de Dostoievki, escrito aos vinte e cinco anos e que revelou de imediato o autor como escritor de grande futuro, inaugurando um estilo introspectivo psicológico sem igual até à época. Baseado na correspondência entre duas pessoas extremamente pobres que se amam numa relação enternecedora mas infrutífera, desfia um relato pungente da condição humana em torno desses dois personagens, vítimas de fatalidades da vida numa sociedade onde são poucos os que conseguem realmente vingar, e onde os restantes se movem numa crueldade austera entre si, forçada pelas inóspitas condições em que vivem. Makar e Varenka vivem um amor idílico ostracizado pelo meio que os circunda (Makar é muito mais velho que Varenka), agravando as suas próprias condições a um nível desesperante mas sempre com discursos de esperança alicerçadas em ilusões muitas vezes patéticas mas ilustrativas do grande alcance do coração humano que tudo pode relativizar sem se importar com as condições em que se encontra.

Pelo meio, a referência à literatura da altura, a boa (Pushkin, Gogol, defendida por Varenka) e a má (defendida por Makar), com despiques construídos pelo autor num altruísmo subtil. Ainda, o retrato social a nível das camadas mais baixas de São Petersburgo de meados do século XIX, numa hierarquia onde até os postos intermédios vivem em condições de penúria, retratados de forma detalhada e realista com episódios e personagens reveladoras de estados desesperados e com destinos sem recurso - multiplicam-se os quadros de dramas sociais e individuais, vítimas de burocracias, desgraças várias, e também de egoísmos ou despotismos intoleráveis.

Acima de toda a desgraça e pobreza, sobrepõem-se as poucas alegrias que justificam (mesmo) toda a existência e varrem todas as mágoas, e momentos onde aparecem lampejos concretos de que os outros não são assim tão maus quanto parecem, e ainda mais quando os mesmos nos aparecem de forma diferente consoante o nosso estado de espírito. A história de amor não acaba de forma feliz nem infeliz, mas sim de uma forma realista que dá ainda mais valor ao romance, sendo em suma um romance de amor com momentos sublimes de pura emoção descritos de forma única mas que é terminado num não terminar que se prolongará através dos tempos, vítima da realidade e dos acontecimentos que forçam os destinos, mas eterno como todo o amor que nunca se esquece e que se prolonga para lá da própria vida.

publicado por edgarasta às 18:43
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